CW - Telegrafia em código Morse
O método ANACONDA  
por Ricardo Martins – CT3KN

(edição revista e melhorada a 6 de Novembro de 2005)

Método de aprendizagem do código Morse destinado à prova de exame de Radioamador da Anacom (Autoridade Nacional das Comunicações) por Ricardo Martins – CT3KN. Este documento resulta duma adaptação para a WEB do documento de apoio à acção de formação promovida pela ARRM em que fui prelector.


A.R.R.M. - CS3MAD
ASSOCIAÇÃO DOS RADIOAMADORES DA REGIÃO DA MADEIRA
FUNCHAL, Maio de 2002

 

1.    Introdução

    Das várias especialidades que se inscrevem no hoby do Radioamadorismo, a telegrafia mais do que qualquer outra tem o poder de colocar os radioamadores em campos opostos, uns adoram, outros não suportam. Sob alguns aspectos a telegrafia vem descendo em popularidade nas últimas décadas na mesma medida em que a voz e outros modos digitais vão se tornando mais populares. Não obstante se ouvirmos nas porções de CW das bandas de amador vamos encontrar milhares de amadores que continuam a utilizar esta antiga e eficaz técnica de comunicação. Além do mais, as autoridades competentes em todo o mundo, no nosso caso a ANACOM que seguindo as recomendações da IARU,  e da CEPT, continua a exigir uma prova de telegrafia em código Morse para auferir a possibilidade de se trabalhar em todas as bandas de amador. Especula-se que no futuro a prova de código Morse seja abolida, actualmente em alguns países a exigência passou de 10 para 5 palavras por minuto.

    A verdade é que continuam a fazer-se comunicações por onda contínua em grande escala no serviço de amador. Do ponto vista técnico, os emissores têm algumas vantagens sobre os emissores radiotelefónicos uma vez que são de concepção mais simples. Os emissores de onda contínua têm um alcance maior para a mesma potência, e isso é devido ao facto de que a conversação pode ser audível e não inteligível. A transmissão em onda contínua não é tão prejudicada por interferências. Aí está porque a maior parte dos amantes do QRP utiliza prioritariamente este modo de modulação. E dentro de uma dada faixa de frequências é possível fazer trabalhar mais emissores de código do que de fonia sem se interferirem devido à menor largura de banda que necessitam.

    Pessoalmente fui buscar a motivação para aprender e utilizar o código Morse um pouco pelo fascínio e mistério quase nostálgico e histórico que me suscita este modo de comunicação. Como não pude usufruir de quem me guiasse pelos bons caminhos da aprendizagem do código fui obrigado a trilhar um caminho desnecessariamente difícil e demorado, olhando para trás no tempo nem sei como mantive a motivação para treinar tanto e de forma tão inglória. Talvez esta experiência de «como não fazer», acompanhada de uma reflexão constante e aperfeiçoamento dos métodos sirva para os colegas interessados não reproduzirem os mesmos erros que eu. Neste preciso momento, e sendo amador desde Abril de 1998, que já somei quase 40.000 QSO’s (a maior parte em concursos) e 255 países trabalhados em telegrafia (1233 países/banda), e como aficcionado do DX vejo-me muitas vezes contente por poder trabalhar uma nova entidade que em outro modo seria muito difícil tendo em conta as condições precárias da estação, na maior parte das vezes uns meros 100Watts numa antena vertical. Continuo a treinar regularmente com programas informáticos (Rufz e PED) e fazendo QSO’s afim de aperfeiçoar as habilidades conquistadas a tanto custo. 

    Não poderia deixar de mencionar quase como «leitura obrigatória» uma publicação online a qual já foi apelidada de bíblia da telegrafia, trata-se de um livro em inglês disponível para download na Internet de título «The Art and Skill of Radio-Telegraphy» da autoria de N0HFF. 

    Espero que este método especificamente criado para a prova de telegrafia em código morse da ANACOM não só incentive os colegas a aprenderem o código mas que também venha a incentivar a sua prática no ar por forma a manter viva esta técnica tirando proveito das suas inúmeras vantagens.

    Era minha intenção abordar ainda neste documento temas como a História, os procedimentos operativos, os concursos, algumas montagens electrónicas úteis à operação em CW, os tipos de chaves telegráficas e sua utilização, e uma série de informação que acumulei em relação à operação em telegrafia. Porém, a partir da análise das expectativas manifestadas pela maior parte dos colegas que se mostraram interessados em aprender o código Morse, parece ser mais prudente me concentrar, de momento, em fazer com que os colegas iniciem de imediato na aprendizagem do código ficando para outra ocasião o desenvolvimento. Para tal e de forma jocosa concretizei o que baptizei de método ANACONDA - qualquer semelhança com a sigla ANACOM é mera coincidência ;-)

    Desejo a todos os participantes que se lembrem que isto é o nosso hoby e acima de tudo desfrutem e se divirtam com esta porta que se abre para o mundo da telegrafia.

2.    Código Morse

O código Morse foi inventado para ser descodificado através da observação de uma fita de papel mas cedo se aperceberam que além de possível descodificar por via auditiva, até era desejável uma vez que as desengonçadas máquinas de impressão da altura, além de dispendiosas, não eram muito fiáveis pois os mecanismos avariavam-se com frequência. E não tardou que os «recorders» foram substituídos pelos «sounders», diga-se ainda a título de curiosidade que embora a patente tenha sido  atribuída a Samuel Morse a verdade é que pouco ou nada do que é o código que conhecemos deriva directamente do seu trabalho, é de fixar para uma certa justiça histórica o nome de Alfred Vail.

O código Morse utilizado actualmente é também conhecido pelo código internacional. Por definição a duração de um traço é três vezes maior do que a do ponto, os espaços dentro do mesmo caracter tem a duração de um ponto. O espaço entre caracteres da mesma palavra é de três pontos e o espaço entre palavras é de sete pontos. O código Morse compõe-se de basicamente 45 símbolos (ver no Apêndice a tabela do código) que representam as:
- 26 letras do alfabeto;
- 10 números (0123456789);
-
Sinais de pontuação( . , / ?);
- Sinais de procedimento, (<BT> <AR> <SK> <BK> <KN>);

Os sinais de procedimento do inglês «Procedure signs» ou abreviadamente «Prosigns» são compostos por duas letras sem pausa entre elas, por exemplo <AR> - didadidadit.

Existem mais alguns sinais que representam os restantes sinais de pontuação e outros ainda que representam letras especiais de determinados idiomas.

Tabela do Código Morse Internacional

LETRAS
A: "didah"
B: "dadididit"
C: "dadidadit"
D: "dadidit"
E: "dit"
F: "dididadit"
G: "dadadit"
H: "didididit"
I: "didit"

J: "didadadah"
K: "dadidah"

L: "didadidit"
M: "dadah"

N: "dadit"
O: "dadadah"
P: "didadadit"
Q: "dadadidah"

R: "didadit"
S: "dididit"
T: "dah"
U: "dididah"
V: "didididah"
W: "didadah"
X: "dadididah"
Y: "dadidadah"

Z: "dadadidit"

NÚMEROS
1: "didadadadah" 6: "dadidididit"
2: "dididadadah" 7: "dadadididit"
3: "didididadah" 8: "dadadadidit"
4: "dididididah" 9: "dadadadadit"
5: "dididididit" 0: "dadadadadah"

PONTUAÇÃO
/ (barra): "dadididadit"
, (vírgula): "dadadididada"
. (ponto): "didadidadidah"
? (interrogação): "dididadadidit"

«PROcedure SIGNS»
<BT> "=" sinal de igual ou pausa
<CQ> Chamada 
<AR> "+" over, fim de menssagem
<K>  convite a transmitir
<KN> convite a transmitir apenas a estação especificada
<BK> break, convite a transmitir
<R>  all received OK

<AS> aguarde
<SK> fim do conctacto
<CL> «clear», sair do ar

 

2.1    Medida da velocidade  

A palavra PARIS foi escolhida por métodos estatísticos (baseados na língua Inglesa) como a palavra com o comprimento standard para a velocidade do código Morse. Tal como já foi referido cada «dit» (ponto) conta como uma unidade, cada «dah» (traço) conta como três unidades, o espaçamento dentro do caractere conta como uma unidade, o espaçamento entre caracteres conta como três unidades, o espaçamento entre palavras é de sete unidades, assim a palavra PARIS perfaz exactamente 50 unidades.

 

Assim, dez palavras por minuto (10ppm) é igual a 500 unidades por minuto divididos por 50 unidades por palavra perfazem uma unidade em cada 120 milissegundos. Este método de medida da velocidade, por vezes é chamado do «slow code» porque soa mais lento do que outro método de medida que toma por base conjuntos de «palavras» formadas por caracteres aleatórios (letras e algarismo) que soam bastante mais rápido porque em média a extensão de cada palavra aleatória tem um comprimento bem acima das 50 unidades que constituem a palavra PARIS. 

Durante a aprendizagem do código, que falaremos já adiante, utilizamos um espaçamento maior entre as letras e as palavras por forma a por um lado ter tempo para raciocinar e por outro treinar o ouvido a copiar as letras a uma velocidade importante, mais a frente falaremos deste método – o método Farnsworth.

3    Aprender o código Morse é fácil!

Claro que para uns será mais fácil do que para outros tendo em conta os inevitáveis pressuposto genéticos, mas que seja ponto assente que todos somos capazes de o aprender, desde que devidamente motivados razoavelmente persistentes.

Como aprender depressa e bem, é uma questão que tem afligido muitas gerações de telegrafistas, militares e radioamadores, aliás a aprendizagem do código é bastante anterior à própria invenção da rádio, lembrem-se que mesmo antes de Marconi demonstrar que se podia enviar código através de ondas Hertzianas há pouco mais de 100 anos, o código Morse era extensivamente utilizado nas comunicações terrestres umas décadas antes. Antes de haver T.S.F. (Telegrafia Sem Fios) houve muitos anos de telegrafia «com» fios. 

Esta procura dos melhores métodos de aprendizagem também é uma questão que progressivamente tem afligido os nossos colegas detentores de licenças da categoria «C» e «B» (sem Morse) que desejam se submeter a exame para usufruir de todos os privilégios da categoria «B habilitado a telegrafia» ou «A». Suponho que mesmo aqueles que tendo beneficiando da alteração da legislação em 1995 e estão administrativamente «habilitados à telegrafia» já tenha equacionado se valeria a pena aprender o código. 

Independentemente do motivo que leva o amador a querer aprender o código Morse há que tecer algumas considerações acerca de como fazê-lo de forma rápida e eficaz, para tal seleccionei dois métodos eficientes e adaptei às nossas necessidades imediatas dando-lhe um nome sugestivo.

3.1    Farnsworth, Koch e ANACONDA

3.1.1    O método Farnsworth

O método "Farnsworth" baseia-se na premissa que velocidades muito baixas do código resultam contraproducentes na aprendizagem. O aprendiz deverá habituar-se desde o início a ouvir os caracteres a uma velocidade considerável, muitas vezes o valor de 15 palavras por minuto é mencionado como referência.

Ora, se pusermos os aprendizes a copiar símbolos consecutivos à uma velocidade destas é muito provável que se perca... O ovo de Colombo do Sr. Farnsworth foi a ideia de que o aprendiz deveria ser confrontado com os símbolos à uma «grande» velocidade mas fazendo com que o espaçamento  inter-caracter e inter-palavras seja bem mais alargado por forma a permitir o raciocínio ainda não automatizado do aprendiz.

3.1.2    O método Koch

O método Koch (de um psicólogo alemão de nome Ludwig Koch dos anos 30) resulta de uma aturada pesquisa efectuada sobre as dificuldades sentidas na aprendizagem do código. Concluiu que a realização da aprendizagem seguindo uma ordem de caracteres dos mais simples para os mais complexos a nível da sua estrutura, levava a que o aprendiz tivesse mais dificuldade em interiorizar os mais complexos. O que fez foi propor uma sequência de aprendizagem onde caracteres mais fáceis misturam-se com mais difíceis. Concomitantemente o Sr. Koch recomenda que o processo mental da aprendizagem nunca assente na memorização por associações rebuscadas mas simplesmente no encarar o símbolo como um padrão sonoro.

Sequência de aprendizagem do método Koch:

K M R S U A P T L O
W I . N J E F 0 Y ,
V G 5 / Q 9 Z H 3 8

B ? 4 2 7 C 1 D 6 X

<BT> <SK> <AR>

3.1.3     O método ANACONDA:

O método que agora exponho não é uma invenção original mas tão somente a adaptação dos dois métodos anteriores à uma situação concreta: passar na prova de exame de telegrafia em código Morse da ANACOM. Como não houve imaginação para mais baptizei o método de ANACONDA (qualquer semelhança com a ANACOM é mera coincidência). Repito que este método não visa preparar para a operação em CW no ar mas tão só e exclusivamente em ter sucesso na prova de recepção auditiva de código Morse.

A prova de recepção auditiva de código Morse da ANACOM consiste na descodificação de 49 palavras em língua portuguesa e 1 grupo de números no espaço de 5 minutos, quer as palavras quer o grupo de números tem a extensão de 5 caracteres. O que dará aproximadamente uma velocidade de 10 palavras por minuto. 

Uma vez que as palavras são em português então não farão parte do teste as letras «K» «W» e «Y» assim como os «Sinais avançados» e a pontuação. Bastará então o domínio de 33 dos 45 símbolos para passar com sucesso total na prova! 

Por outro lado como 50% é suficiente para passar na prova então o candidato poderá com total segurança prescindir de aprender os números diminuindo de 33 para 23 os algarismos a interiorizar.

O que eu proponho com o método ANACONDA não é nada de revolucionário, consiste apenas numa adaptação do método KOCH donde foram retirados os símbolos que não interessam, ficando exclusivamente as 23 letras necessárias para a prova.

Assim, a sequência de aprendizagem será esta:

M R S U A P T L O I N J E F V G Q Z H B C D X

            Começaremos pelas duas letras iniciais e assim que as copiarmos com percentagens elevadas de acertos adicionaremos a letra seguinte até que possamos treinar com conjuntos aleatórios de 5 letras, em que entrem todas as letras, a uma velocidade de aproximadamente 13 palavras por minuto

Ora, onde é que o Farnsworth entra nesta método? Partindo do pressuposto que vamos utilizar programas informáticos para a aprendizagem. Há que tirar partido das possibilidades postas ao nosso dispor, assim deveremos escolher programas de aprendizagem do código que nos permitam ajustar a velocidade do caractere para nunca menos do que 13 palavras por minuto, e um espaçamento exagerado entre os caracteres para que se permita o aprendiz copiar. Este espaçamento adicional deverá ser o mais curto possível pois o objectivo final é copiar o código perfeitamente enviado pelo que só  nos servirá para a fase de aprendizagem.

Se nos estamos a preparar par um exame de 10 palavras por minuto devemos trabalhar para copiar com segurança a uma velocidade um pouco mais elevada para que mesmo havendo algum nervosismo ou ansiedade próprios do momento não sejam suficientes para comprometer um bom desempenho.

3.1.3.1  ANACONDA nos programas informáticos

Recomendo vivamente que se opte pelo «Koch Method CW Trainer - G4FON», já vai na versão 3.4.4, é gratuito e pode ser puxado do site www.sdc.org/~finley/finley.morse.html O programa está feito de forma a obedecer por defeito aos princípios de aprendizagem enunciados neste documento.

Existem muitíssimos outros programas de software para a aprendizagem do código Morse. A questão é compreender os princípios e configurar os programas para respeitá-los.

Durante muito tempo o programa mais famoso foi, provavelmente, o «Supermorse» que corre em puro DOS (gratuito e disponível para download em http://www.murrah.com/sm/). Este programa já esteja estruturado em lições seguindo uma ordem de complexidade e sugerindo a aprendizagem por grupos de letras consoante a sua semelhança, nós não vamos seguir este método mas sim o ANACONDA, por isso, e como o programa é altamente configurável podemos mexer à vontade na velocidade do caracter no espaçamento entre letras e palavras. 
Configuração do Supermorse: 1º Calibração da velocidade em Options/Code/calibration aguarda-se um minuto para que o programa envie a palavra PARIS e depois anota-se o valor final que se deverá introduzir na alínea «Timing Factor». 2º Escolha das letras a trabalhar em Options/Chars; 3º acerto das velocidades SSP (F1 e F2) e WSP (F5 e F6) sempre iguais e com um valor inicial de cerca de 4, e CSP com um valor não inferior a 12  (F3 e F4).

Configuração do NuMorse que corre em ambiente windows com versão disponível para download gratuito (http://www.nu-ware.com/download/NuMors.zip ). A única limitação do programa é que a velocidade máxima está fixada em 20, bastante mais do que necessitamos, assim:
1- Seleccionamos SETTINGS / FILTERS  as letras que vamos trabalhar começando pelas duas primeiras o «M» e o «R»;
2- A velocidade para 13 na barra de rolagem vertical CHAR. e 5 na barra TEXT;
3- Em PLAY seleciona-se como SOURCE - GROUPS, a partir daí vão saír conjuntos aleatórios de 5 letras apenas compostas pelas letras seleccionadas (o M e o R).

Depois de copiar as letras que se estão a trabalhar quase sem erros (85% mais ou menos) pode-se adicionar a letra seguinte, e assim por diante. Lembro que as 23 letras do ANACONDA são:

M R S U A P T L O I N J E F V G Q Z H B C D X

3.1.4      Realização da prova de exame:

Quanto fiz esta prova em Abril de 1998 o examinador conduziu-me para uma sala à parte e pôs um gravador em cima da mesa, havia duas folhas A4 de papel cada uma numerada de 1 a 25 e a segunda de 26 a 50 e uma caneta. Permitiu-me ouvir um pouco da cassete antes do teste para me habituar quer ao tom dos sinais quer à sua velocidade. No fim permitiu me que corrigisse o que tinha copiado o que se torna fácil uma vez que sendo palavras em português basta ficar atento para ver se estão bem escritas. Note-se que a letra cê de cedilha é um simples cê, não havendo acentuação, e que alguns tempos verbais e plurais formam palavras algo estranhas quando vistas isoladamente...

3.1.5      Sugestões importantes:

Ø      Não tente aprender o código Morse memorizando as figuras de traços e pontos que aparecem na generalidade das tabelas, isto vai atrasar o processo de aprendizagem, é necessário ter paciência no início e aprender a associar directamente o som à letra correspondente. Só assim se poderá alcançar um bom nível em pouco tempo sem se ter de defrontar com os chamados patamares de aprendizagem a partir dos quais é difícil continuar a progredir. Evitar visualizar mentalmente as figuras de traços e pontos, aprendendo pelo som, é de certeza a melhor forma de se dominar o código pois evita-se esta etapa desnecessária de pensamento que atrasa tremendamente a velocidade com que é possível «copiar». 

Ø      Utilize de preferência um programa informático, existem muitos e muito bons, desde já sugiro o Super Morse. Por outro lado este programa é altamente configurável o que permite a todo o momento o adaptarmos às nossas necessidades ou preferências. Em especial o método Farnsworth.

Ø      Sessões relativamente curtas e frequentes de treino de cópia é a forma ideal de se aprender, talvez não mais do que dez minutos de cada vez umas três vezes ao dia.

Ø      Praticar sempre que tenha oportunidade mas evitar fazê-lo quando se sentir cansado.

Ø      Praticar tanto com auscultadores de ouvido como à partir de um altifalante (se só se praticar com auscultadores pode haver alguma dificuldade no teste).

Ø      Ouvir o código a uma velocidade ligeiramente acima da que se pode copiar comodamente. 

4.      Conclusão

Alguns métodos são altamente contraproducentes. A aprendizagem do código através da memorização visual de traços e pontos numa tabela impressa, é das piores formas de aprendizagem uma vez que se queremos fazer a descodificação de sons não devemos usar os olhos... Através desta forma antiquada de aprendizagem por memória visual ou através da contagem dos «dits» e «dahs» analiticamente é quase garantido que se irá produzir os famosos «plateaus» na velocidade que a mente consegue processar num nível consciente – normalmente pelas 7 ou 10 p.p.m. 

Outros métodos desencorajantes. Através dos anos muitos esquemas foram criados para memorização do código alguns até bem engenhosos recorrendo a palavras ou frases que de alguma forma fizessem lembrar o som do caracter ou mesmo através de ilustrações. Pior do que não fazer nada estes métodos (além de não apresentarem qualquer valor para a comunicação telegráfica) ainda prejudicam na medida em que assentam na memorização visual que como vimos é de se evitar a todo o custo.

Resumindo:

Ø      Nem sequer olhe para uma destas tradicionais tabela de código Morse antes de começar a aprender, e jamais tente memorizar visualmente ou aceite software que mostre o código no ecrãs. Nota: Repare que a tabela proposta no Apêndice deste documento, recorre á nomenclatura «dit» para os pontos e «dah» para os traços mas nunca mostra as figuras dos pontos e traços.

Ø      Rejeite métodos que peçam para ouvir inicialmente sucessões de pontos e traços.

Ø      Ouça apenas caracteres completos e correctamente enviados.

Ø      Não tente memorizar por «opostos», «K» e «R» por exemplo, nem tente decorar pensando muito, aceite o padrão sonoro correspondente ao caracter tal como ele é. Inicialmente pode parecer demorado mas esta é a melhor forma de aprender.